domingo, 1 de março de 2009

Fica mais um pouco

http://www.youtube.com/watch?v=mvwdR2zF8pQ

Hoje você veio sem avisar, me pegou de surpresa e mais uma vez ouvi aquela dura frase: Vim buscar o carro e irei embora amanhã bem cedo.
Mas como? Não quer saber da minha dor? Não quer me defender do que me faz sofrer? Não quer me ajudar a pintar a casa de laranja para dar a impressão de que está amanhecendo, como diz a Adélia. Por que vai assim tão rápido e por que eu não consigo dizer que preciso do teu colo e que sinto sua falta. Que não sei o que fazer e que estou tentando, mas ainda estou tropeçando muito. Não me abandona mais uma vez, deixa eu ficar quieta no teu "útero" com o meu filho dentro do meu, assim nada nos atingirá, e a dor passará. Deixa estancar a hemorragia. Voltar a alegria, eu vou achar...
Eu odeio domingo, as pessoas vão embora e eu ainda não aprendi a lidar com a partida.



sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Menino e sua Mãe no colo



Descansa no meu colo
tua cabeça de mulher
Deixa que eu seja teu pai,
ainda que por um instante.
Vivamos o parto às avessas.
Eu, que sou teu filho,
por ora quero ser teu pai.
Só para ter o prazer de
te ver menina tão cheia de sonhos.
Só pra puxar os teus cabelos
e nele colocar laços bordador de alegrias.
Cores de tempos antigos, distantes,
quando nem imaginavas que um dia e seria o teu filho.
Fica quietinha por aqui
Permita que eu cuide de tuas coisas,
teu guarda-roupas tão cheio de desordens,
não importa.
O remédio eu te trarei,
teu alimento eu plantarei, e ajeitarei
o teu travesseiro de um jeito que gostes,
Só para descobrir a alegria
de reverter a ordem dos fatos.
Só para ter a graça de te chamar de
minha filha,
minha menina,
minha "Nathalinha".
Só para ter a graça de evitar teus
choros futuros,
tuas dores constantes,
teus medos tão delicados
Medo de me perder,
de que eu morra antes da hora,
e de que não esteja por perto no
momento em que eu precisar de
tua mão, como passado,
quando me conduzias contigo,
como se fossemos um só, um nó de gente,
amarrado e costurado.
amor que Deus esqueceu no mundo e eu vi de perto
quando o sofrimento entrou pela janela
da tua casa,
e mesmo vendo partir as carnes que nasceram de teu ventre,
o teu olhar me encorajava a não desanimar da vida.
E juntos, seguimos atados pela estrada,
que é feita de sonhos,
de tristezas e de risos.


poema de F.Melo (livro Quando o sofrimento bater à sua porta)









sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Para quem quiser ver

Fui eu que fiz, simples mas pra mim diz tudo...Pra vc bem amado!


http://www.youtube.com/watch?v=nTnbyFJILvw


Dor "não moro mais em mim"


Faz uns cinco dias que a dor vem se intensificando, essa hemorragia não estanca e dói, dói, dói, dói, não tem mais palavras pra expressar a dor. Dilacera. Arde, inflama a cada hora que passa.

Fui cantar a música da A. Calcanhotto que tanto gosto e me identifico desde meus 15 anos, por quê ser né? Mas eu cantando: "Eu perco o chão, eu não acho as palavras...eu perco o freio,EU NÃO MORO MAIS EM MIM." A resposta que obtive foi: se vc não mora mais em vc isso é triste! Coisa mais triste é não morar em si, não ser dono de sua propriedade, você acaba sendo território baldio, onde os "outros" depositam o lixo, o que resta, o que não presta que não serve mais neles e vomitam em vc. Ao ouvir isso, eu que já estava dolorida, doeu mais ainda, doeu, doeu, doeu, doeu, doeu, doeu, doeu...ainda dói.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O que é que há?





O que é que há?
O que é que tá
Se passando
Com essa cabeça?
O que é que há?

O que é que tá
Me faltando prá que
Eu te conheça melhor?
Prá que eu te receba

Sem choque
Prá que eu te perceba
No toque das mãos
O teu coração...

O que é que há?
Porque é que há
Tanto tempo
Você não procura
Meu ombro?
Porque será?
Que esse fogo
Não queima

O que tem prá queimar?
Que a gente não ama
O que tem prá se amar
Que o sol tá se pondo
E a gente não larga
Essa angústia do olhar...
Telefona!

Não deixa que eu fuja!!!!

Me ocupa os espaços vazios
Me arranca dessa ansiedade
Me acolhe, me acalma
Em teus braços macios Macios!...
O que é que há?

O que é que tá
Se passando
Com a minha cabeça?

Não, eu não sei, não!

O que é que há?...



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Diamante Bruto






O desafio de toda hora é tornar me pessoa, tomar posse daquilo que sou pra que depois eu possa me dispor pro outro. Preciso retirar os excessos, as arestas, o peso que persiste em ancorar meu barco que não vê o norte . Aonde está dentro de mim a ponta de iceberg que afunda cada vez que eu estou quase lá? Em qual parte da vida eu permiti que esse barro ofuscasse meu brilho fazendo com que eu não me reconheça. Necessitando tantas vezes que o outro diga.


Tenho que dar um banho tirar esse cascalho da cara e fazer voltar a brilhar o mais lindo de todos os diamantes o meu. Polir, policiar para que o barro, a lama, não voltem. É exercício exaustivo. Se um bailarino tem que estudar horas para que sua coreografia fique no mínimo harmoniosa, para ser gente o treinamento é diário e constante, não tem fim.

Ninguém prometeu que seria fácil, eu sei!!! Mas tb tenho me convencido que não é impossível. A hora é agora. Deus me ajude.


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Condição de indigente


De vem em quando eu preciso bater na porta das pessoas que me amam e dizer: “Me ajuda a chegar até Deus? Porque está difícil sozinho.” A possibilidade de estar com vocês aqui, é um soro que entra na minha veia.
O ódio nos rouba, o amor nos devolve. Quando você não tem muitos motivos para se alegrar, e tem que lidar com suas fragilidades e não sabe o que fazer com elas, você não procura seus companheiros de copo, ou de fofoca. Você vai querer bater na porta de alguém que verdadeiramente vai saber olhar para suas indigências do jeito que elas merecem ser olhadas.Quantas vezes você se estragou porque não foi capaz de se perdoar? Não foi capaz de usar de misericórdia consigo mesmo? Não reconheceu que estava indigente, ou que na corrida chegou em último lugar.
Como é duro ser o último. Agora, quando estamos no pódio é fácil achar quem nos ama. Alguma coisa dentro de nós pede para que o fracasso do outro seja ridicularizado.

Nós não sabemos lidar com o fracasso dos outros. O mais desconcertante disso tudo é que Jesus ficava de olho em quem chegava por último, e deles fazia seguidores.O presente é para todos. Só basta querer receber. Nisso está a dimensão humana da salvação: eu quero, aceito, me disponho, e recebo aquilo que Deus quer me ofertar. Eu quero essa participação direta nesse presente que Deus me oferece.
Por isso, não olhe para trás. Não preste atenção no que não deu certo. Não ponha seu empenho no que você não tem. Deus só pode trabalhar naquele que se reconhece indigente.Qual é pior doente? É aquele que não quer ser tratado.
Aqui esta origem de toda enfermidade: o pecado que não recebe cura. Como tratamos o corpo, precisamos tratar o espírito, a alma.


Trechos retirados da paletra de Pe. Fábio de Melo